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4 de julho de 2023

Resenha: A camareira (The Maid)- Nita Prose.

 

Sou sua camareira. Sei muita coisa sobre você.
Mais o que você sabe sobre mim?


O livro A camareira é narrado em primeira pessoa sob a perspectiva de Molly.A personagem Molly Gray uma mulher de 25 anos descrita como uma pessoa com dificuldade em interações sociais ... De acordo com o desenrolar da leitura é perceptível que Molly Seja portadora do transtorno de espectro autista (TEA):

Os critérios de diagnósticos essenciais do TEA consistem em: déficits persistentes na comunicação social e na interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades.




Embora, eu goste de livros em que a narrativa seja em primeira pessoa. A narrativa do livro A camareira torna-se um pouco lenta pois o propósito é enxergar o mundo de acordo com as dificuldades da personagem. Os personagens importantes é Avó de Molly Gray que morre a nove meses antes dessa história. Mas, é lembrada no decorrer da leitura pois, foi a primeira pessoa a “decifrar” O mundo e ensinar o ofício de camareira no Hotel Regency Grand, para Molly Gray.


Nita Prose atua há anos como editora e já trabalhou em diversos best-sellers. A camareira é seu romance de estreia. Em um belo dia de trabalho qualquer, Molly descobre o corpo morto de um rico e famoso empresário sr. Black e acaba virando a principal suspeita do assassinato. Agora ela tem que correr contra o tempo para provar sua inocência.


Título: A Camareira / Intrínsecos #41
Título Original: The Maid
Autor: Nita Prose
Série: ---
Páginas: 336
Ano: 2022
Editora: Intrínseca
Avaliação: ☕☕☕☕☕






Sinopse: Molly Gray tem dificuldade com interações sociais. Aos 25 anos, a jovem muitas vezes entende errado as intenções das outras pessoas, e sua avó costumava interpretar o mundo para ela, criando regras simples segundo as quais a neta poderia viver. Desde que a avó morreu, nove meses atrás, Molly tem navegado sozinha pelas complexidades da vida. Sua única alegria é ainda poder se dedicar com prazer ao emprego e realizar um trabalho impecável. Certo dia, ao entrar na suíte de Charles Black, a vida organizada de Molly irá virar de cabeça para baixo: além de encontrar os cômodos em completa desordem, a jovem se depara com nada menos que o próprio Sr. Black morto na cama. O seu comportamento incomum levanta suspeitas da polícia, e a camareira, acostumada a passar despercebida, logo se vê presa em uma teia de mentiras e mal-entendidos que não faz ideia de como desfazer.

Esse é o problema da dor. É tão contagiosa quanto uma doença. Ela passa da pessoa que a suportou primeiro para aqueles que mais a amam.


Enquanto leitora, conseguimos ver o mundo de acordo com a Molly Gray e sentir as nuances dos sentimentos e pensamentos de acordo com as suas dificuldades em interações sociais... Podemos perceber o quanto uma pessoa neuro-atípica sofre com o preconceito dos outros profissionais mesmo sendo uma excelente Camareira.




Nunca vou entender por que as pessoas acham a verdade mais absurda do que as mentiras.



O livro A Camareira um thriller/suspense de estreia escrito por Nita Prose tem uma escrita muito peculiar. Enquanto eu fazia a leitura eu fui percebendo o quanto é necessário a autora ter deixado claro o diagnóstico de autismo para a personagem Molly. Embora, a autora consiga construir o fluxo de pensamento da personagem de forma com que o leitor entenda como aquela reação, por mais fora comum que seja, faz sentido para ela. A autora mantém um pensamento preconceituoso dos leitores de que “Molly é apenas uma mulher estranha”. É uma crítica a sociedade que excluem as pessoas que julgam não ser “normais”.

7 de dezembro de 2022

Resenha: Flores para Algernon.


“inteligência e educação sem doses de afeto humano 
não valem droga nenhuma.”


O livro Flores para Algernon é narrado por Charlie Gordom um homem de 30 e poucos anos de idade que tem uma deficiência intelectual. Não temos muitos detalhes precisos sobre diagnósticos e o livro não se prende em "rotular" Charlie.

Aviso de conteúdo: Esse livro contém gatilhos pois fala sobre: Saúde Mental, sofrimento psíquico violência na primeira infãncia, Bulling e suicídio. A relação social de uma pessoa com Deficiência Intelectual. A Crueldade e a falta de empatia das pessoas "normais" com pessoas deficientes intelectuais como o Charlie...

Os Capítulos são escritos em formato de "Relatório de Progresso" que ele vai descrever sobre o seu dia-a-dia antes de passar por um experimento cientifico. As relações sociais de Charlie Gordom tornaram-se tão superficiais no decorrer da história, que não vejo como "personagens importantes" para a evolução do personagem... Doutor Strauss e o professor Nemur foram os responsáveis pelo experimento cientifico; Alice professora do Instituto para jovens retardados. A artista que era vizinha de apartamento do Charlie.

Que estranho é o fato de pessoas de sensibilidade e sentimentos honestos, que não tirariam vantagem de um homem que nasceu sem braços ou pernas ou olhos, não verem problema em maltratar um homem com pouca inteligência.

Flores para Algernon é o título de um conto de ficção científica e romance do escritor americano Daniel Keyes. O conto, escrito em 1958 e publicado pela primeira vez na edição de abril de 1959 da Revista de Fantasia e Ficção Científica , ganhou o Prêmio Hugo de Melhor Conto em 1960. O romance foi publicado em 1966 e foi co-vencedor do mesmo ano Prêmio Nebula para Melhor Novela (com Babel-17 ). Algernon é um rato de laboratório que passou por uma cirurgia para aumentar sua inteligência. A história é contada por uma série de Relatórios de Progresso escritos por Charlie Gordon, o primeiro sujeito humano para a cirurgia, e aborda temas éticos e morais, como o tratamento de deficientes mentais



Flores para Algernon
Autor: Daniel Keyes
Tradutora: Luisa Geisler
Editora: Aleph
Ano de publicação: 1966
Ano desta edição: 2018
288 páginas
Avaliação: ☕☕☕☕☕

Sinopse: Uma cirurgia revolucionária promete aumentar o QI do paciente. Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual grave, é selecionado para se o primeiro humano a passar pelo procedimento. Em um avanço científico sem precedentes, a inteligência de Charlie aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que planejaram o experimento. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até sobre o papel de sua existência.


Daniel Keyes (9 de agosto de 1927 - 15 de junho de 2014) foi um escritor americano que escreveu o romance Flores para Algernon . Keyes recebeu a homenagem de Autor emérito da Science Fiction and Fantasy Writers of America em 2000.

Até um homem de mente fraca quer ser como os outros homens. Uma criança pode não saber como se alimentar, ou o que comer, mas ela conhece a fome.

A minha identificação com a história deu-se pelo fato de eu ser formada em Psicologia e ouvir muitas vezes durante a minha graduação o "nojinho" presente nos relatos dos estagiários em trabalhar com saúde mental. Ao decorrer da narrativa de Charlie Gordon eu lembrei da frase de Carl Jung "Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.". Faltando alma naqueles personagens cheios de diplomas e teorias...


Mas, lidando com as pessoas com deficiência intelectual como sendo apenas objetos de estudo. O Charlie Gordon é um personagem encantador e muito bem construído. Ele é um personagem tão bom, mesmo depois de se tornar um gênio. O ruim são as pessoas em sua volta... Principalmente depois dos resultados do experimento. Durante a leitura percebemos que avanço intelectual não quer dizer desenvolvimento emocional e social. E esse foi um fator importante na construção do personagem.


“Não mimporto muito em ser famoso. Só quero ser esperto como as outras peçoas para poder ter amigus que gostam de mim.”

Apesar de sabermos que, no fim do labirinto, a morte nos aguarda (e isso é algo que nem sempre soube, até pouco tempo atrás, pois o adolescente em mim pensava que a morte acontecia só com outras pessoas), vejo agora que o caminho escolhido pelo labirinto me faz quem sou. Não sou apenas uma coisa, mas também uma maneira de ser – uma das muitas maneiras –, e saber os caminhos que percorri e os que me restam vai me ajudar a entender o que estou me tornando. No inicio, vimos um Charlie que trabalha na padaria Donner. Em suas relações sociais vimos personagens tão sujos, que se aproveitavam da falta de intelectualidade e ingenuidade do Gordon, pessoas que se diziam amigos, mas na verdade só usavam-no como motivo de piada. Charlie estuda 3x por semana Instituto Beekmin para adultos retardados.

“Se você é intelijente você podi ter muitos amigos pra conversar e você nunca fica solitário sosinho o tempo todo.”


Enquanto leitor, nós conseguimos sentir as nuances dos sentimentos e pensamentos de Charlie pelos Relatórios de Progressos escritos por ele mesmo, com alguns erros de português. No inicio, devido a sua deficiência intelectual e depois do experimento cientifico quando ele chegou no topo da inteligência e percebe a sua verdadeira relação com o ciclo social onde ele estava inserido... O livro Flores para Algernon tem uma escrita muito peculiar. Esse livro, não vai falar de invenções loucas ou viagens no tempo, nem nada desse tipo. Trata-se de uma ficção científica mais psicológica. Porém, não criem expectativas durante a leitura e mantenham-se conectados com o Charlie com todas as suas nuances de pensamentos e sentimentos.

29 de julho de 2022

Resenha: A Menina Submersa: Memórias - Caitlín R. Kiernan

"Esse pode ser um dos locais onde eu deveria fazer a distinção
 entre a verdade da minha história e os fatos."



O livro A Menina Submersa tem uma narração intrigante, não linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Índia Morgan Phelps, ou Imp é uma narradora não confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.

⚠️ Aviso de gatilhos: Alerta de tentativa de suicídio, depressão, ansiedade e distúrbios mentais. 

Durante sua história, Índia Morgan Phelps conta um pouco de outras pessoas, como sua namorada, sua mãe, e outros, que fizeram parte da sua vida. Uma outra pessoa de quem Imp. mais falou também, foi de Eva Canning, uma estranha mulher que encontrou, nua, molhada, na beira da estrada em que estava passando durante um de seus passeios noturnos. A narrativa, em primeira pessoa de Índia Morgan Phelps, ou Imp faz uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. A condição psíquica da personagem, Imp faz com que ela narre os acontecimentos sem uma ordem cronológica... Enquanto leitora eu “mergulhei” na narrativa Índia Morgan Phelps: da narrativa que interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários.

Livro: A Menina Submersa: Memórias -
Título original: The Drawning Girl
Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: DarkSide
Gênero: Horror - Fantasia
Avaliação: ☕☕☕☕☕




Embora, a personagem Índia Morgan Phelps descreva o quadro A menina Submersa detalhadamente durante a narrativa da história e fala sobre sereias e lobisomens o livro não tem tanta ilustrações a não ser do quadro. Tendo o quadro A Menina Submersa agrega a experiência literária por ter uma linguagem visual com tantos detalhes.

— Quando alguma coisa deixa uma forte impressão em nós, deveríamos fazer o nosso melhor para não esquecer. Por isso, anotar é uma boa ideia.

Sinopse: Com uma narração intrigante, não linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico.


Caitlín R. Kiernan, é autora de livros de ficção científica e fantasia dark, e paleontóloga. Escreveu dez romances, dezenas de histórias em quadrinhos e mais de 200 contos e novelas. Entre seus trabalhos, destacam-se os romances Silk (1998), Threshold (2001), ambos vencedores do International Horror Guild Award, e The Red Tree (2009); a série em quadrinhos The Dreaming, spin-off de Sandman, de Neil Gaiman, com quem também escreveu a novelização de Beowulf (2007). A Menina Submersa: Memórias conquistou os Prêmios Bram Stoker e James Tiptree, Jr., este dedicado a obras de ficção científica ou de fantasia que expandem e exploram a compreensão de gênero. O Mundo Invisível Entre Nós reúne trabalhos premiados, contos raros e favoritos da autora.

"Um monte de lembranças minhas são falsas, por isso nunca posso ter certeza, de um jeito ou de outro. Isso costumava me apavorar, essas lembranças de coisas que nunca aconteceram, mas me acostumei."
É impossível não querer proteger Índia Morgan Phelps, ou Imp, uma menina que tem nos livros os grandes companheiros na luta contra seu histórico genético esquizofrênico e paranoico. Filha e neta de mulheres que buscaram o suicídio como única alternativa, Imp. começa a escrever um livro de memórias para tentar reconstruir seus pensamentos e lutar contra o que seria "a maldição da família Phelps", além de buscar suas lembranças sobre a inusitada Eva Canning, sua relação com a namorada e consigo mesma.


A escritora Caitlín R. Kiernan tem uma sensibilidade na sua escrita que parece que o leitor está dentro da mente da personagem Índia Morgan Phelps o quanto ela duvida da veracidade das suas lembranças [...] eu lembro de tal acontecimento. Mas, eu não sei se isso realmente aconteceu dessa maneira [...] e o quanto isso é tão incomodo ao ponto de lhe trazer sofrimento. No início, eu tive vontade de olhar as minhas anotações de Psicanálise ou folhear O livro dos Símbolos pela milésima vez somente esse ano... Porém, a experiência literária que é proposta durante a narrativa “Só escreva o que viu”, datilografou Imp. “Não interprete. Apenas descreva.” É uma leitura que deve-se fazer de uma maneira atenta e sensível com o sofrimento da personagem Índia Morgan Phelps.

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