Os personagens importantes são:
Aurora: A protagonista e narradora da história. É uma
senhora de cerca de 70 anos (septuagenária), professora aposentada de
português, que é encontrada desmemoriada e descalça à beira de uma estrada. A
cada dia ela acorda com uma nova versão de suas próprias lembranças.
Camila: Uma figura central e ambígua na mente de Aurora.
Aurora não sabe com certeza se Camila é sua filha, sua melhor amiga de infância
(com quem manteve laços por toda a vida), ou se representa esses dois papéis em
diferentes versões da sua memória.
Aurora, encontrada desmemoriada e descalça na beira da
estrada e procurando por uma certa Camila. Para uma amnésica, Aurora recorda-se
de muito: da mãe que escovava seus cabelos até parecerem “uma peruca
eletrizada”; do seu ato falho trágico religioso, de quando rezava na infância e
dizia “agora é a hora da nossa morte amém”; dos anos em que deu aula de
português em uma escola de riquinhos; da sua covardia perante a ditadura
militar: “este país insiste que temos de arriscar a nossa própria vida, parece
que esquece que tudo que temos é essa miséria da própria vida”; de um carnaval
em que tentou perder a virgindade com um jovem brocha vestido de bebê; de um
amante midiático que falava um português impecável, mas também sabia beber e
socializar em boteco vagabundo e, sobretudo, das muitas mortes da filha Camila,
sempre alternadas com momentos solares na companhia da melhor amiga de
infância: “Camila ficou sendo minha melhor amiga desde o momento que olhou pra
trás e perguntou se encharcado era com ch ou x”. Seriam essas lembranças reais
ou ela decorou dos muitos livros que leu, protegida, dentro de casa, dos
infinitos perigos que existem lá fora?
⚠ Aviso de gatilhos: O livro "É sempre a hora da nossa morte amém aborda temas sensíveis e pode trazer gatilhos relacionados a: Finitude humana e morte: O enredo gira em torno da obsessão com a morte, envelhecimento e várias hipóteses ou formas de morte (como suicídio, acidentes e doenças);Perda de memória e amnésia: A protagonista Aurora é uma senhora de mais de 70 anos encontrada desmemoriada em uma estrada, lidando com confusão mental e fragmentos de lembranças; Luto e angústia materna/afetiva: A busca obsessiva por Camila (uma figura ambígua entre filha e amiga) e o peso de memórias ligadas a perdas e à ditadura militar.
Mariana Salomão Carrara é paulistana, escritora e Defensora Pública, nascida em 1986. Tem publicados um livro de contos (Delicada uma de nós – Off-Flip, 2015), e os romances Idílico (EI, 2007), Fadas e copos no canto da casa (Quintal Edições, 2017), Se deus me chamar não vou (Editora nós, 2019, entre os 10 indicados ao Prêmio Jabuti 2020, em Romance Literário), “É sempre a hora da nossa morte amém” (Editora Nós, 2021, finalista do Prêmio São Paulo 2022 e entre os 10 indicados ao Jabuti 2022.






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