28 de outubro de 2026

Resenha: É sempre a hora da nossa morte amém - Mariana Salomão Carrara

Rosa vai se irritar com a minha metáfora e implorar que hoje tentemos focar bastante porque não temos avançado nada e a mina vida inteira é uma neblina...


É sempre a hora da nossa morte amém é um romance escrito por Mariana Salomão Carrara que foi lançado no Brasil pela editora Nós. É narrado em primeira pessoa, Aurora é uma senhora de cerca de 70 anos (septuagenária), que encontra-se “desmemoriada” o que faz o decorrer da narrativa não ser confiável... Misturando humor, tragédia e pitadas generosas de neurose e auto depreciação, para nos mostra o quanto somos versões inacabadas e eternamente em manutenção. E o quão indulgentes também podemos ser com as nossas imperfeições, embora mortificados de culpa até o túmulo.

Os personagens importantes são:

Aurora: A protagonista e narradora da história. É uma senhora de cerca de 70 anos (septuagenária), professora aposentada de português, que é encontrada desmemoriada e descalça à beira de uma estrada. A cada dia ela acorda com uma nova versão de suas próprias lembranças.

Camila: Uma figura central e ambígua na mente de Aurora. Aurora não sabe com certeza se Camila é sua filha, sua melhor amiga de infância (com quem manteve laços por toda a vida), ou se representa esses dois papéis em diferentes versões da sua memória.

Rosa: A assistente social do abrigo ou casa de repouso para onde Aurora é levada. É com ela que Aurora passa longas horas conversando para tentar reconstruir (ou inventar) os fios do seu passado



É sempre a hora da nossa morte amém
Autora: Mariana Salomão Carrara
Editora: Nós
Ano: 2021
N°de páginas: 240 páginas
Avaliação: ☕☕☕☕☕💓

O E-book de agora é a hora da nossa morte amém está disponibilizado no Kindle Unilimited. Embora, eu seja fã do livro físico a experiência com a leitura em e-books torna-se mais dinâmica para as leituras no período da noite que é o meu horário preferido.

“O médico disse que eu tenho ilhas preservadas de memória, gosto da imagem, mas como saber se são ilhas ou, ao contrário, miragens de oásis no meio da minha indistinta porção de terra."

Aurora, encontrada desmemoriada e descalça na beira da estrada e procurando por uma certa Camila. Para uma amnésica, Aurora recorda-se de muito: da mãe que escovava seus cabelos até parecerem “uma peruca eletrizada”; do seu ato falho trágico religioso, de quando rezava na infância e dizia “agora é a hora da nossa morte amém”; dos anos em que deu aula de português em uma escola de riquinhos; da sua covardia perante a ditadura militar: “este país insiste que temos de arriscar a nossa própria vida, parece que esquece que tudo que temos é essa miséria da própria vida”; de um carnaval em que tentou perder a virgindade com um jovem brocha vestido de bebê; de um amante midiático que falava um português impecável, mas também sabia beber e socializar em boteco vagabundo e, sobretudo, das muitas mortes da filha Camila, sempre alternadas com momentos solares na companhia da melhor amiga de infância: “Camila ficou sendo minha melhor amiga desde o momento que olhou pra trás e perguntou se encharcado era com ch ou x”. Seriam essas lembranças reais ou ela decorou dos muitos livros que leu, protegida, dentro de casa, dos infinitos perigos que existem lá fora?

⚠ Aviso de gatilhos: O livro "É sempre a hora da nossa morte amém aborda temas sensíveis e pode trazer gatilhos relacionados a: Finitude humana e morte: O enredo gira em torno da obsessão com a morte, envelhecimento e várias hipóteses ou formas de morte (como suicídio, acidentes e doenças);Perda de memória e amnésia: A protagonista Aurora é uma senhora de mais de 70 anos encontrada desmemoriada em uma estrada, lidando com confusão mental e fragmentos de lembranças; Luto e angústia materna/afetiva: A busca obsessiva por Camila (uma figura ambígua entre filha e amiga) e o peso de memórias ligadas a perdas e à ditadura militar.

Mariana Salomão Carrara é paulistana, escritora e Defensora Pública, nascida em 1986. Tem publicados um livro de contos (Delicada uma de nós – Off-Flip, 2015), e os romances Idílico (EI, 2007), Fadas e copos no canto da casa (Quintal Edições, 2017), Se deus me chamar não vou (Editora nós, 2019, entre os 10 indicados ao Prêmio Jabuti 2020, em Romance Literário), “É sempre a hora da nossa morte amém” (Editora Nós, 2021, finalista do Prêmio São Paulo 2022 e entre os 10 indicados ao Jabuti 2022.


Geralmente eu gosto de ler narrativas em primeira pessoa. Porém, considerando que a Dona Aurora seja uma senhora de idade avançada e desmemoriada a narrativa não-confiável torna-se cansativa. Porém, se tomarmos um devido cuidado de simplesmente viajarmos nas lembranças bagunçadas da mente da Dona Aurora a história verdadeira perde o brilho de uma senhora septuagenária que vive uma vida comum, com sentimentos e angustias de qualquer pessoa que chega na terceira idade.

15 de outubro de 2026

Primeiras Impressões #39: É sempre a hora da nossa morte amém - Mariana Salomão Carrara

 

Rosa vai se irritar com a minha metáfora e implorar que hoje tentemos focar bastante porque não temos avançado nada e a mina vida inteira é uma neblina... Aurora está em uma casa de repouso depois de ser encontrada vagando, desmemoriada, no acostamento de uma estrada, segurando a coleira vazia de um cachorro e chamando por ‘Camila’. No abrigo de idosos, a antiga professora de língua portuguesa de setenta e tantos anos reconta as muitas versões de sua vida para a assistente social Rosa, que está empenhada em ajudá-la a recuperar suas memórias e retomar a vida fora do asilo.

“O médico disse que eu tenho ilhas preservadas de memória, gosto da imagem, mas como saber se são ilhas ou, ao contrário, miragens de oásis no meio da minha indistinta porção de terra."

O estilo de Mariana Salomão Carrara é febril, sem pausas longas, misturando delírio, lucidez, afeto e o peso da finitude humana. A narrativa em 1° pessoa passa a não ser confiável pois, cada capítulo, a versão do passado de Aurora parece mudar ou se reconfigurar, deixando a dúvida sobre o que é real e o que é invenção da sua mente... A construção da protagonista Aurora é um dos aspectos mais fascinantes e dolorosos do livro. O que mais impressiona na personagem é o conceito de "narradora não confiável" levado ao extremo, mas não por malícia, e sim pelas lacunas provocadas pela sua própria mente e pelo trauma.

a leitura dessa história é daquelas que não dá para abandonar pelo caminho. Como a narrativa de Mariana Salomão Carrara funciona em um fluxo de consciência muito intenso, o desejo de passar da página 100 é guiado pela necessidade de descobrir o que é real e o que é delírio na mente da protagonista Aurora.

 

17 de fevereiro de 2026

5 motivos para ler: Bem-vindos à livraria Hyunam-Dong.

Bem-vindos à livraria Hyunam-Dong, de Hwang Bo-reum, é um romance de cura e reflexão que aborda o recomeço após um burnout, valorizando a desaceleração da vida, a paixão pelos livros e a busca pela felicidade autêntica. Com capítulos curtos e aconchegantes, é perfeito para quem busca uma leitura relaxante, profunda e esperançosa.




Aqui estão os principais motivos para ler esta obra:

  • Leitura "abraço" (conforto): O livro é focado na sensação de aconchego, ideal para ler com um chá, proporcionando um respiro na rotina exaustiva.
  • Temas de recomeço e burnout: A protagonista, Yeongju, larga sua vida exaustiva para abrir uma livraria, permitindo ao leitor refletir sobre trabalho, sucesso e saúde mental.
  • Valorização da literatura: A história celebra o amor pelos livros e o papel de uma livraria física como um refúgio e ponto de encontro comunitário.
  • Personagens reais e relacionáveis: A trama apresenta pessoas comuns que estão perdidas, enfrentando dilemas profissionais ou pessoais, com os quais o leitor pode se identificar.
  • Reflexão sobre felicidade: O livro questiona os padrões sociais de sucesso, incentivando o leitor a encontrar o seu próprio caminho, paz de espírito e pequenas alegrias diárias.
  • Cultura coreana contemporânea: Oferece um vislumbre sobre o estilo de vida, as pressões sociais e o ambiente de trabalho na Coreia do Sul.
O livro é descrito como uma leitura que "aquece o coração" e ajuda a ressignificar a vida em tempos de alta ansiedade, segundo.

E você, já leu? Tem algum com temática parecida para indicar? Conta para gente nos comentários!

Meu ano em leituras - 2025.


Eu comecei o ano de 2025 com uma cirurgia marcada de retirada de um mioma uterino para o próximo mês (fevereiro). Ocorreu tudo bem na cirurgia e a recuperação foi bem rápida... Eu comecei a o ano lendo A Trança por Laetitia Colombani e Dorothée de Bruchard que comecei a ler ano passado e terminei de ler esse ano.

Esse ano, eu consegui me aproximar da minha fé [catolicismo]. Eu já estava nessa caminhada... quando voltei a participar da santa missa na paróquia que frequento desde quando era adolescente... Na época, tinha poucos adolescentes e mais jovens universitários indo para a fase adulta. Os grupos de jovens hoje só tem adolescentes e os jovens nem sequer vão na missa... No meio do ano, conheci um grupo de oração para jovens e participei do retiro Emaús Curso de Valores Humanos e Cristãos, para jovens [...] Quando eu participei do meu primeiro retiro no início dos anos 2.000 e lá vai bolinhas... Eu tinha dezesseis anos na época, nunca pensei que iria finalizar os meus trinta anos participando de um retiro católico. Foram três dias de uma imersão espiritual que deixamos o espirito santo conectar a mente o corpo e o espirito.

Eu fui em um evento literário próximo a minha cidade... O Festival de leitura em Joinville não consegui planejar nem escrever nada sobre esse evento. Pois, foi na mesma semana do retiro e eu estava gripada/rinite não consegui curtir praticamente nada nesses dias em que tive na cidade.

Enquanto eu planejava escrever sobre as minhas Leituras do ano eu percebi que perdi o [...] de escrever conteúdo literário tanto aqui no blog quanto no bookstagram... Embora, eu tenha feito leituras incríveis esse ano eu não consegui parar para escrever/fotografar e criar conteúdo literário como eu fazia no início do  Expresso Literário.



Vamos a lista então:

  1. A Vida Impossível - Matt Haig : ☕
  2. Amêndoas - Won-pyung Sohn:☕☕☕
  3. A Trança - Laetitia Colombani: ☕☕☕☕☕💓
  4. Codinome Beija-Flor - Pedro Corrêa  ☕☕☕☕☕💓
  5. A Filha perdida - Elena Ferrante:☕☕☕☕
  6. De Eva A Ester: Um relato sobre grandes mulheres da Bíblia - Debora Otoni ☕☕☕
  7. (releitura) O Circo Mecânico Tresaulti / Autor/Autora: Genevieve Valentine: ☕☕..
  8. Atmosfera: Uma história de amor   - Taylor Jenkins Reid. - Avaliação: ☕
  9. Ela e o monstro - Autora: Linda Bailey: ☕☕☕☕☕💓
  10. Alice no País das Maravilhas (Classic Edition)- Lewis Carol, :☕☕☕☕☕💓
  11. A Garota que bebeu a lua - Kelly Barnhill: ☕☕☕☕☕💓
  12. VHS, Verdadeiras Histórias de Sangue - César Bravo: ☕☕☕☕☕💓
  13. O coletivo de croche de copeton - Kate Solly: ☕☕☕☕☕💓
  14. Carta Encíclica do Santo Padre Francisco "Fratelli Tutti - Todos irmãos": sobre a fraternidade e a amizade social : ☕☕☕☕☕💓
  15. A Conquista das Virtudes -  Francisco Faus : ☕☕☕
  16. Banquete do Cordeiro (O) - A missa segundo um convertido: - Scott HAHN, : ☕☕☕
  17. Nem Tudo Que Resta é Lixo - Sarah Krasnostein : ☕☕☕☕☕💓
  18. Querida Tia - Valérie Perrin: ☕☕☕
  19. A Seleção - Kiera Cass ☕☕☕
  20. As Crônicas de Nárnia - C.S. Lewis ☕☕☕

Essas foram as minhas leituras de 2025. Observei que eu classifiquei poucas leituras como favoritadas... [Quando eu escrever as resenhas a avaliação pode mudar...] . Confesso que eu fiquei exigente demais durante as leituras .... e na maioria das vezes frustrada (oi, ressaca!)... Esse ano, eu pretendo ler os livros que eu realmente tenha vontade para aproveitar histórias que realmente me marquem e prendam a minha atenção.


E você? Como foram as suas leituras em 2025? Conta para mim nos comentários!

24 de outubro de 2025

Meu Diary Journal de 2025 + Retro Codebook.

Desde que conheci o termo Bullet Journal em uma das aulas pós graduação de Arteterapia que usava a escrita como uma forma terapêutica... Em 2025, eu fiquei encantada com a possibilidade de ter um Diary Journal já que o formato Bullet embora fosse uma maneira pratica de manter o dia-a-dia organizado eu me sentia desconfortável por não estar sendo tão produtiva naquele ano.


No segundo semestre, enquanto decidia qual caderno utilizaria ainda esse ano, enquanto decidia qual caderno utilizaria em 2025, O modelo escolhido foi o Retro Codebook. A capa é de couro branco com os detalhes vintage e toque delicado, resistente ao desgaste, elementos de marinheiro em relevo, linhas claras.

As páginas internas do diário contêm 112 folhas de papel bege de 100 g/m², e o papel pautado e o papel em branco são combinados de forma ideal para atender às diversas necessidades de escrita. Embora, uma folha sem pauta (ou lisa) ofereça mais liberdade para desenhos, esboços e mapas mentais, isso exige uma organização que eu não possuo...



Nesses últimos dias eu tenho gostado de criar páginas temáticas no meu
Diary Journal. Ele tem funcionada mais como uma válvula de escape pra minha criatividade do que pra organização propriamente dita. Tenho gostado de usar colagens, imprimir imagens e fotos, escrever entradas de diário, frases inspiradoras e ocasionalmente e participar de clubes de Journal´s. Nunca fui de seguir o método à risca, fui descobrindo, bem aos poucos, o que eu gostava de fazer e funcionava pra mim e acho que agora me encontrei.



Fiz uma colagem com uma foto minha, adesivos dourados e desenhos coloridos em forma de adesivos caseiros logo na segunda capa. É tão gostoso ir pensando nas combinações, tendo ideias ao longo do dia e parar um pouquinho pra colocar isso em prática! Gostei do resultado ♡


Eu sempre fico frustrada em relação ao que fazia. Eu começo a me comparar com as páginas lindas – algumas, verdadeiras obras de arte – que encontrava na Internet. Essas comparações me deixava desmotivada, e para piorar, tentava layouts/trackers/coleções que não funcionavam nem faziam sentido pra mim.


Ainda gosto muito de acompanhar o processo de criação de páginas... Mas, eu quero registrar os meus processos de criação no Diary Journal seguindo o meu ritmo e fluxo de criatividade. Uma das coisas mais legais do Journal é essa possibilidade de adaptação. Afinal, a gente tem pela frente uma página totalmente em branco, o que e como iremos criar, fica por nossa conta.



Está sendo necessário (e terapêutico...) resgatar um sentimento parecido que tinha na minha adolescência, quando quase que diariamente, passava a tarde escrevendo e enfeitando cadernos/agenda da vez.

Espero que tenham gostado, pessoal!

© Expresso Literário
Maira Gall