22 de janeiro de 2021

Resenha: Em Algum Lugar Nas Estrelas (Navigating Early)

 


“Quando chove, é sempre Billie Holiday”


A leitura do livro Em Algum Lugar Nas Estrelas tem uma narração boa e bastante fluida. É narrado em primeira pessoa pelo jovem Jack Baker uma criança de 13 anos órfão de mãe e seu pai parecia ignorar a sua existência... Os personagens importantes da história são: Jack Baker e o enigmático Early Auden


A história começa quando Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. 




Em Algum Lugar Nas Estrelas (Navigating Early)
Escritora: Clare Vanderpool
Editora: Darkside Books
Ano: 2016
Avaliação: ☕☕☕☕☕ 






Clare Vanderpool cresceu lendo livros em lugares incomuns: vestiários, banheiro, andando pela calçada (às vezes, dando com a cara em postes), igreja, aula de matemática. Ela desconfia que alguns professores sabiam que ela escondia um livro atrás do livro da escola, mas os bons nunca falaram nada. Clare foi a primeira autora estreante a receber o cobiçado prêmio John Newbery Medal de mais distinta contribuição para a literatura infantil norte-americana, da American Library Association, por Minha Vida Fora dos Trilhos. Seu segundo romance, Em Algum Lugar nas Estrelas (DarkSide® Books, 2016), foi eleito um dos Printz Honor Books em 2014. Clare mora em Wichita, Kansas, com o marido e os quatro filhos do casal. 




As Ilustrações dos capítulos são constelações do Zodíaco; estão intimamente ligadas à como a Terra se move através dos céus. Essas constelações marcam a rota pelo qual o sol parece viajar ao longo de um ano, chamada de eclíptica. 

“Ligar os pontos. Minha mãe dizia que olhar as estrelas tinha a ver com isso. Lá em cima é como aqui embaixo, Jackie. Você precisa procurar as coisas que nos conectam. Encontrar os jeitos com que nossos caminhos se cruzam, nossas vidas se interceptam e nossos corações se encontram.” 

Em Algum Lugar Nas Estrelas, É Um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai... bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. 


Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisséia. Mas, por trás de sua genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor. 


Ao decorrer da história percebemos que o comportamento de Early Auden é de uma criança com a síndrome de Asperge, uma forma branda de autismo. Early segue alguns rituais. Com relação a música, por exemplo, ele escuta Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart aos domingos. E se chover, ele ouve Billie Holiday. Ele também tem o hábito de separar balas de goma por cor para se acalmar. Porém, só seria descoberta muito tempo depois da Segunda Guerra o que deixou a história do personagem um pouco mais leve. 

Louis Armstrong às segundas, Frank Sinatra às quartas, Glenn Miller às sextas e Mozart aos domingos. E se chover, ele ouve Billie Holiday.


Quando chegam as festas de fim de ano, a escola fica vazia. Todos os alunos voltam para casa, para celebrar com suas famílias. Todos, menos Jack e Early. Os dois aproveitam a solidão involuntária e partem em uma jornada ao encontro do lendário Urso Apalache. Nessa grande aventura, vão encontrar piratas, seres fantásticos e até, quem sabe, uma maneira de trazer os mortos de volta – ainda que talvez do que Jack mais precise seja aprender a deixá-los em paz. 


“Os que quase se deixam consumir pela caçada, os desesperados, digamos, por aquilo que acham que procuram, normalmente estão bem longe do que de fato estão procurando. É verdade, também, que às vezes eles não estão procurando nada, mas fugindo de alguma coisa.” 

No decorrer da jornada pela floresta percebemos uma verdadeira amizade entre Jack e Early. Embora, pareça uma amizade improvável Jack era uma ruptura necessária para os pensamentos lineares de Early . E na maioria das vezes, os pensamentos confusos e desconexos de Early precisavam ser organizados de alguma maneira por Jack. 

era fácil esquecer que Early tinha sentimentos... Isso acontece geralmente quando colocamos estigmas na pessoas que sofrem de algum sofrimento psíquico. Early embora tivesse sempre focado no "seu mundinho" em sua busca incansável por Fisher, suas histórias sobre o Pi que pareciam se confundir com a vida real e ser um gênio na matemática. Ele era um garoto de verdade com sentimentos de verdade. 

“Quando o oceano molhou meus pés, percebi que Early Ausden, o mais estranho dos garotos, tinha me salvado de ser levado embora. Ele me salvou quando me ensinou a reconstruir um barco, que os números contam historias e que, quando chove, é sempre Billie Holiday.” 

A História do Pi que era narrado pelo Early não era somente sobre o seu irmão mais Velho Fisher, que foi soldado na segunda guerra mundial e foi dado como morto junto com os outros soldados que eram os seus amigos como pareceu nos primeiros capítulos... A história se "conectou" com o Luto do pai de Jack que ao perder a sua mulher e colocar o Jack no internato achou no trabalho uma forma de fugir... E ao próprio Jack, que se sentiu responsabilizado de alguma maneira com a morte da sua mãe. E achou uma "linguagem" que tanto ele quanto seu pai entendiam a saudade que é uma maneira saudável de viver o Luto. 


O livro Em Algum lugar nas Estrelas é uma daquelas grandes histórias que permanecerá comigo muito tempo. A realidade pode ser uma grande fantasia ou uma coincidência inevitável. Somos muito mais que um simples desejo do acaso. 


“Não existem coincidências. Apenas milagres e aos montes.”




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2 comentários

  1. Oiiie,
    Primeiro quero agradecer o convite de conhecer seu blog, que por sinal é muito fofo. Eu tenho esse livro na lista de desejados há muito tempo. A trama dele é bem interessante e vejo que fará a gente pensar em tudo sabe. A edição é maravilhosa, já quero na estante.

    Blog: Tempos Literários

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  2. Cara, eu sou DOIDA pra ler esse livro... Acho o plot dele interessante, as características das personagens relevantes, o visual belíssimo e já foi indicado por amigas nas quais confio no gosto, sabe? Cada resenha que leio, pronto, a vontade aumenta.

    Não sabia que ele tinha as constelações do zodíaco no início dos capítulos, que coisa mais linda!

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